Hospital da Criança faz cirurgia inédita no DF neste sábado (15)
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Hospital da Criança faz cirurgia inédita no DF neste sábado (15)
Unidade da rede pública é referência em alta complexidade
Jander Brasilia - DF
Postada em 15/06/2019 ás 19h27 - atualizada em 23/06/2019 ás 19h27
Hospital da Criança faz cirurgia inédita no DF neste sábado (15)

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) fará, neste sábado (15), mais uma cirurgia de alta complexidade, com uma técnica inédita no Distrito Federal. Trata-se de uma extrofia de bexiga, procedimento a ser realizado em uma criança de um ano e 11 meses de idade com o objetivo de reparar uma malformação da bexiga e uretra. Essa condição deixa órgãos expostos fora do abdome.


A prevalência da extrofia de bexiga se dá em torno de três para cada 100 mil nascidos vivos. No Distrito Federal, segundo o coordenador da Urologia do HCB, Hélio Buson, nasce uma criança por ano com essa malformação. “Antes da cirurgia, a parede abdominal, o púbis, a bexiga e a genitália estão abertas e expostas. São feitas incisões, separando-se cuidadosamente a bexiga, a próstata, a uretra e os corpos cavernosos do pênis dos tecidos em volta”, explica Buson, referência neste tipo de tratamento.


O procedimento dura de nove a 12 horas e é considerado delicado justamente por trabalhar com todas as estruturas afetadas pela anomalia. Após as intervenções, que resultam na separação das estruturas malformadas, preservando vasos sanguíneos e nervos, ocorre a reconstrução. “Depois que reconstruirmos tudo, dando aos órgãos o formato que, desde o início, deveriam ter, devolvemos toda a estrutura para o seu lugar e ali fixamos os órgãos novamente”, esclarece o especialista.


Inovação


A cirurgia que será realizada no HCB, unidade da rede pública de saúde, utiliza a Técnica de Kelley, método cinquentenário que garante resultados melhores, mas que ainda é pouco utilizado no mundo devido à complexidade.


“Nas técnicas tradicionais, apesar de serem cirurgias bastante complexas, a reconstrução que se realiza ainda é limitada. Em boa parte dos casos, os resultados ficam muito a desejar. Nessa nova técnica, a melhora é muito significativa, tanto no aspecto funcional quanto no estético”, destaca o coordenador da Urologia do HCB.


A técnica foi idealizada pelo urologista pediátrico australiano Justin Kelley, mas só chegou ao Brasil recentemente. Um dos brasileiros mais experientes na execução desse método é o cirurgião e urologista pediátrico Nicanor Macedo, que participará da intervenção. Chefe do Departamento de Cirurgia Pediátrica do Hospital Estadual de Transplante, Câncer e Cirurgia Infantil do Rio de Janeiro, ele não tem medido esforços para propagar a técnica a outros profissionais.


Encontro


A cirurgia realizada no HCB ocorrerá durante o encontro do Grupo Cooperativo Brasileiro Multi-Institucional para o Tratamento de Extrofia de Bexiga pela Técnica de Kelley.


Desta sexta-feira (14), até domingo (16), cirurgiões pediátricos especializados em Urologia Pediátrica estarão na unidade trocando experiências. Hoje, às 19h30, Nicanor Macedo se reunirá com profissionais do HCB para uma palestra explicativa sobre a Técnica de Kelley e sobre a atuação do próprio grupo.


Criado em janeiro de 2019, o grupo viaja, mensalmente, para diversos locais do país para operar, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), crianças com extrofia de bexiga. Os custos de cada viagem são pagos pelos próprios integrantes. A cirurgia mobilizará, além dos integrantes do Grupo Cooperativo Brasileiro, vários outros profissionais do Centro Cirúrgico do HCB e da rede pública. Após o procedimento, a criança será encaminhada à UTI do hospital.


Desde que foi constituído, o Grupo Cooperativo Brasileiro Multi-Institucional para o Tratamento de Extrofia de Bexiga pela Técnica de Kelley já operou seis crianças: duas no Rio de Janeiro, uma na Bahia, duas em São Paulo e uma no Rio Grande do Sul. Outros seis casos estão sendo acompanhados pelos especialistas, sendo um deles no Distrito Federal, dois no Paraná, dois no Rio de Janeiro e um em Roraima.


“Estamos fazendo algo bem diferente: reunimos um grupo de especialistas para ir até o local onde o paciente está. Assim, você não tira o paciente de sua comunidade; ele continua lá, apoiado por uma instituição local”, conclui Hélio Buson.


* Com informações da Secretaria de Saúde


 

FONTE: AGÊNCIA BRASÍLIA *
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